CarlAn - Garatujar. Com tecnologia do Blogger.
13.6.09

postheadericon Supervisão, que futuro?

Muito se tem falado e escrito acerca da supervisão em Portugal. A supervisão falhou e falhou retumbantemente, em toda a linha (dizem, eu também acho), e quando se fala em supervisão, fala-se com certeza no BdP e na CMVM, evidentemente. É por demais evidente que algo no sistema falhou. Não é necessário ser-se economista, técnico ou fazer muitas contas para constatar tal facto. Está a vista de toda a gente, entra-nos pelos olhos dentro e nalguns pelas “carteiras”, tivemos o BCP, BPN e agora o BPP.

A verdade é que andava todo o mundo satisfeito, a banca ia anunciando grandes lucros, os fundos iam fazendo os seus “grandes negócios”, muitas vezes vendendo gato por lebre, transformando qualquer lixo em títulos transaccionáveis e onde o risco anunciado era praticamente inexistente face as arquitecturas financeiras e matemáticas completamente indecifráveis e ilegíveis, mas aceites como boas, os pequenos investidores iam ganhando o seu, e os investidores institucionais iam gerindo as suas carteiras e manipulando o mercado ao seu belo gosto e necessidades, era o paraíso… a cantilena da auto-regulação do mercado era a cantilena habitual e, a cantilena oficial, o liberalismo seguia no seu melhor, era idolatrado, era o sistema perfeito, ninguém falava ou exigia mais controle ou mais regulação (foi-se aliás, retirando poderes ao regulador), todas as entidades envolvidas estavam felizes e todo o mundo da alta finança (governantes inclusive) congratulavam-se da desregulamentação dos mercados financeiros, o neo-liberalismo era uma virtude sem defeitos, o céu era o limite… E a bolha rebentou… Dito isto em jeito de preambulo vamos ao cerne da questão, BdP e Vítor Constâncio, e que passa evidentemente pela acção da Comissão Parlamentar que esta a inquirir sobre o caso. Prestes a chegar ao seu final, e após inquirir muita gente com altas (e baixas) responsabilidades no caso BPN e outros intervenientes, poder-se-á seguramente afirmar que esta Comissão Parlamentar para além de ter feito um trabalho notável, contribuiu em muito para credibilizar com o seu trabalho o tão depauperado e exaurido parlamento português. Assistimos na passada segunda-feira á sessão da Comissão Parlamentar com Vítor Constâncio, sessão penosamente longa mas onde não é difícil chegar a uma conclusão óbvia, que é, destruir a imagem do BdP e destronar o Governador do Banco de Portugal. Não é que eu ache que existam perguntas que não devam ou não mereçam serem feitas, nada disso, todas as perguntas devem ser feitas, todos os assuntos sem excepção devem ser questionados e interrogados, a sensação que tenho é que os senhores deputados estão com o foco errado, estão a falhar no âmago da questão, não estão a ir há essência da questão. Os senhores deputados não se podem esquecer que são simultaneamente parte da cura e parte do problema, quer dizer, podem e devem ter um papel de capital importância para rectificar, sugerir e melhorar a supervisão, através de recomendações, acções e iniciativas legislativas, mas simultaneamente não se poderão esquecer que foram os parlamentares que através das suas actividades legislativas, -pois tomam as iniciativas legislativas- (boas ou más, -e existe muita boa gente a afirmar que muitas delas são piores que más, incluindo o Presidente da Republica) criaram o hiato, a falha, a lacuna existente na legislação que rege a supervisão. Claro que a supervisão não falhou apenas por terras lusas, falhou praticamente em todo o lado, nos países mais ricos e nos menos ricos, falhou em toda a Europa e nos EUA, falhou em Portugal e no Japão, a desregulamentação e a auto-regulação parecia um bem em si mesmo, o capitalismo no seu melhor, e deu no que deu. Dever-se-ia tirar conclusões do que falhou, do que estava errado, do que é necessário aperfeiçoar, criar, melhorar a nível nacional, melhorar a comunicação internacional, melhorar a legislação que rege a supervisão, como interagir os supervisores nacionais e que portas são necessário abrir para um diálogo constante e proveitoso a nível internacional. Dever-se-ia pensar num organismo internacional a criar ou já criado que chamasse a si a supervisão num âmbito internacional e como interlocutor privilegiado das diversas supervisões e bancos centrais, isto a pensar nas fugas e branqueamentos de capital e nas off-shore sem controlo. Era ai que deveria estar o foco, a essência da questão, a busca pela resolução, pelo aperfeiçoamento. Mas não, o que se apreende é a tentativa de descredibilizar uma instituição que é crível na Europa, o que se apercebe é a tentativa de crucificar, afligir e atingir (por razões politicas) um conceituado economista que nada fica a dever aos seus pares Europeus e internacionais. Esta Comissão deveria olhar fundo, olhar a floresta, não olhar apenas a arvore… Não ficar apenas pela rama para disso tirar proveitos políticos, mas ao invés aproveitar esta oportunidade, aproveitar a “arma poderosa” que têm nas mãos para dai poderem tirar conclusões úteis e proveitosas para o futuro. Muita coisa percebemos de errado no mundo da supervisão, o Governador do Banco de Portugal não se coibiu de as anunciar publicamente; não existe curso ou formação específica, vão aprendendo como se de uma retrosaria se tratasse; falta de “intimidade” com a PGR, nem a Operação Furacão levou a que houvesse colaboração; Falta de mecanismo de confirmação se uma dada resposta de um banco é falsa ou verdadeira; Falta ou pouco dialogo com a CMVM; …etc., etc., etc.… Não deixem imperar o atavismo e o anacronismo habitual nessa casa, colocando os interesses políticos á frente dos reais interesses do país.Vamos esperar que a montanha não vá parir um rato, e que as “desinteligências políticas” não prejudiquem uma conclusão sem tricas e mesquinhice politiqueira, o que depois do trabalho desenvolvido por esta Comissão seria um autêntico insulto aos portugueses. Tags: ,

Powered by Qumana

0 comentários:

FacebooK

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Google+ Followers

Ocorreu um erro neste dispositivo

Posts mais vistos

Ocorreu um erro neste dispositivo

800ISO no Facebook

Troca de Livros no Facebook

garatujar

verbo no Infinitivo pessoal

do It. grattugiare, esfarelar com ralo

v. tr. e int.,
cobrir com garatujas;
fazer garatujas;
rabiscar.
Gerúndio - garatujando

"Foi o tempo que dedicaste à tua rosa que fez tua rosa tão importante." -- Antoine de St. Exupery (in "O princepezinho")

para pensar...

"...sob certas condições, os capitalistas privados inevitavelmente controlam, directa ou indirectamente, as principais fontes de informação (imprensa, rádio, educação). É então extremamente difícil, e na maior parte dos casos na verdade quase impossível, para o cidadão individual chegar a conclusões objectivas".

Albert Einstein, 1949

________________________________
«Uma revolução pode mudar as instituições, mas em nada alterou o carácter dos homens. Eles continuarão a ser o que eram: perversos e imbecis.»

Carlos da Maia, um dos oficiais da Armada no 5 de Outubro, em carta ao político republicano João Chagas, Junho de 1911
" Estamos perdidos há muito tempo... O país perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada. Os caracteres corrompidos (...) Ninguém crê na honestidade dos homens políticos."
EÇA DE QUEIROZ

Não quero garatujar mais a cidade. A cidade já é diferente com tanto verde-azeitona e tanta varanda caída. Tantas vedações e instruções, tantas palavras de ordem que os cartazes políticos nos recomendam. Nada disso. Nem mais uma ordem, nem mais um só homem a mandar na minha vida.

Todos se van (Diários de Havana), Wendy Guerra 2006


Amorim acusado de evasão fiscal

O Plano Nacional de Barragens

Isaltino pode não cumprir pena

BBC esplica a crise na Europa

"Gosto muito de te ver Coelhinho"

tags

Sócrates Vídeo Face oculta PS PT Wikileaks Cavaco Silva google TVI Facebook Madeira Portugal Rui Pedro Soares divida da republica video YouTube humor Moody's Temporal Saúde banca BPN EDP Funchal Luís Figo Twitter ASAE BCP Bolsa Corrupção Mário Soares Paulo Penedos vídeo humor Bush Comissão de Ética Justiça Marinho Pinto News PSD SNS Solidariedade Social short-selling Ana Sofia Cuba DESIGUALDADES Durão Barroso FMI Fernando Nobre Fidel Castro Free Download Galp Google Buzz Gripe A Internet Iraque Julian Assange Manuel Alegre Mário Crespo Publico Ricardo Rodrigues Tiago Caiado Guerreiro Vaticano Vieira da Silva escutas iPad iPhone rating português AMI Ana Gomes BdP CERN CMVM Chávez DECO Demagogias Felícia Cabrita Google Earth H1N1 Hospital Amadora-Sintra Islandia vulcão Jorge Coelho Jornal de sexta João Cravinho Maddie Microsoft Mirrors OMS Oeiras PEC Pablo Picasso Paulo Rangel Saúde EUA Tablet Vítor Constâncio Zeinal Bava firefox openleaks remuneração de administradores transportes públicos (H1N1) BES Barack Obama Berlusconi Blindness Catarina Furtado Che Chomsky Dawkins Dire Straits Elton Elvis Entre-os-Rios Eric Clapton Esmeralda Euro 2012 FPF Farmville Festival de Veneza Francisco George Gonçalo Amaral Google Sky Greenpeace Gripe Guevara Hugo Chávez Jorge Batista José Penedos José Saramago João Soares Juan Carlos Laura Torrisi Lei do Financiamento Partidário Luís Montenegro MP3 Madeleine McCann Manuela M. Guedes Mapa mundo Maria José Morgado Mario Lino McCann Mercosul Michael Jackson Naide Gomes Nobel da Paz PSP PT/TVI Paul Pfizer Pirelli Portugal Telecom (PT) Potts Presley Radio Nowhere Ramos Horta Richard Rihanna SEDES SOL Segurança Social Setúbal Sporting Star Tracking Sting TIME Teixeira dos Santos The Police UNICEF Viagens Virgil Wikiscanner Yahoo dinossauros discriminações iPod jornal sexta obstetra pobreza infantil raio-x sandes slideshow template ucrania

Últimos 30 dias

Quintas com Livros

Outros Garatujadores

Ocorreu um erro neste dispositivo

Público

Siga o Blog por Email