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6.9.09

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"Jornal de Sexta"

Hoje vou contar a história do "rapaz das ovelhas e do lobo"

Havia um rapaz guardador de ovelhas que gostava de pregar partidas aos seus conterrâneos, e de vez em quando (para se divertir, pois guardar gado é uma grande maçada) lembrava-se de gritar aos sete ventos e com quanta força tinha nos pulmões;

ai vem lobo, acudam, ai vem lobo, acudam…

os conterrâneos, que eram pessoas decentes, crentes e ajudadoras, acorriam ao seu auxilio…

isto aconteceu diversas vezes, o rapazola sempre mentia, até que, um dado dia fatídico, o lobo apareceu mesmo, e o rapazola mentiroso gritou aos sete ventos;

ai vem lobo, ai vem lobo, acudam… blá blá blá…blá blá blá…

Bom, encurtemos a cena, até pq toda a gente aprendeu isto na antiga 2ª classe, mentir dá sempre mau resultado.

Há um belo dia que se fala verdade, e azar, ninguém acredita.

Não sei se o PS disparou a arma, mas que foi um tiro no pé, foi.

Não estou a fazer, nem vou fazer a “defesa” do Jornal Nacional nem da Manuela Moura Guedes, nem a Manuela precisa, nem sou um grande adepto do seu estilo, reconheço, mas o que importa reter e salientar é que prefiro um país com mau jornalismo, um país com maus jornalistas, do que um país onde o poder político manipula os média, e onde directa ou indirectamente tenta controla-los, ou onde os jornalistas não são livres.

Numa democracia adulta os média são controlados pelos próprios espectadores, as pessoas tem uma coisa que se chama telecomando, quando não gostam de uma coisa mudam para outra.

Se há mau jornalismo deixa-se ao público a tarefa de por via da audiência fazer a respectiva triagem, são muitos os casos de programas que saíram do “ar” porque o publico não aderiu.

Dirão os formadores de opinião, os críticos de TV e os pseudo-intelectuais,

…“não, não, temos que dar directrizes, o publico é inculto e não sabe escolher”…

Nada mais errado…

O público compra aquilo que quer, vê aquilo que quer, lê aquilo que quer, ouve aquilo que quer, mesmo muitas vezes sabendo e reconhecendo que o que compra, o que ouve, o que vê, o que lê é pimba, é péssimo, é mau, é horrível, é de mau gosto, é mal feito, o público sabe isso, o público o consumidor não é parvo, apenas apetece ouvir, ver, comer ou ler aquilo.

Onde está o mal?

De outra forma não se venderiam tantas edições e tantos milhares de livros de sub-literatura entretanto classificados de best-sellers, não se ouviria e encheria tantos pavilhões a ouvir o Tony Carreira, ou não se perderia tanto tempo a ver os concursos apresentados pelo (já fui feliz aqui, ali e acolá) brejeiro José Carlos Malato, ou não se consumiria milhares de pizzas diariamente, pois toda a gente sabe que promovem o mau colesterol, engordam e são caras, etc,.

Chama-se a isto diversidade e opção de escolha, senão toda a gente leria apenas o Nome da Rosa, ouviria jazz, enxergaria a BBC e comeria pescada cosida com ovo e feijão verde, bem regado pelo belíssimo azeite português, embora saudável, era capaz de ser um pouco chato e aborrecido…

A Prisa ficou mal em todo este processo deveria explicar-se.

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garatujar

verbo no Infinitivo pessoal

do It. grattugiare, esfarelar com ralo

v. tr. e int.,
cobrir com garatujas;
fazer garatujas;
rabiscar.
Gerúndio - garatujando

"Foi o tempo que dedicaste à tua rosa que fez tua rosa tão importante." -- Antoine de St. Exupery (in "O princepezinho")

para pensar...

"...sob certas condições, os capitalistas privados inevitavelmente controlam, directa ou indirectamente, as principais fontes de informação (imprensa, rádio, educação). É então extremamente difícil, e na maior parte dos casos na verdade quase impossível, para o cidadão individual chegar a conclusões objectivas".

Albert Einstein, 1949

________________________________
«Uma revolução pode mudar as instituições, mas em nada alterou o carácter dos homens. Eles continuarão a ser o que eram: perversos e imbecis.»

Carlos da Maia, um dos oficiais da Armada no 5 de Outubro, em carta ao político republicano João Chagas, Junho de 1911
" Estamos perdidos há muito tempo... O país perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada. Os caracteres corrompidos (...) Ninguém crê na honestidade dos homens políticos."
EÇA DE QUEIROZ

Não quero garatujar mais a cidade. A cidade já é diferente com tanto verde-azeitona e tanta varanda caída. Tantas vedações e instruções, tantas palavras de ordem que os cartazes políticos nos recomendam. Nada disso. Nem mais uma ordem, nem mais um só homem a mandar na minha vida.

Todos se van (Diários de Havana), Wendy Guerra 2006


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